Gazeta
Mercantil (28/05/2004)
São Paulo, 28 de Maio de 2004 - As
cooperativas brasileiras acabam de ganhar um instrumento
para medir seu envolvimento com a responsabilidade
social. Será lançado hoje, durante seminário
na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, o primeiro modelo
de balanço social voltado para o segmento que,
desde 2000, cresce 10% ao ano em número de
trabalhadores. Trata-se de uma iniciativa do Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas
(Ibase), em parceria com oito organizações,
entre elas a Organização das Cooperativas
Brasileiras (OCB) e a Incubadora Tecnológica
de Cooperativas Populares da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ).
O objetivo do balanço social é conceder
maior transparência às ações
internas e externas das cooperativas, de modo que
sejam conhecidas pelos públicos de interesse
("stakeholders"), como fornecedores, clientes,
órgãos públicos e população
em geral. As informações podem ainda
ser usadas como mais um elemento para concessão
de financiamentos.
O Ibase foi responsável pelo desenvolvimento
de um modelo de balanço social já utilizado
por mais de 200 empresas. A necessidade de um modelo
diferenciado para as cooperativas era premente. "As
cooperativas já possuem a responsabilidade
social inerente às suas próprias atividades
e, nesse ponto, elas são diferentes das empresas,
que incorporam o interesse social de forma acessória",
explica João Roberto Lopes, pesquisador do
Ibase responsável pelo balanço social.
Para atender aos princípios seguidos pelas
cooperativas - como a gestão democrática
e a distribuição das riquezas geradas
entre os associados e as comu-nidades - foram criados
indicadores diferenciados. Entre eles, há ênfase
nos indicadores relativos à organização
e gestão. No item corpo social, por exemplo,
é analisada a proporção do número
de cooperativados e trabalhadores contratados com
funções administrativas. As diferenças
entre as "retiradas" (equivalente aos salários)
são indicadores do grau de hierarquia da cooperativa,
assim como o partilhamento das "sobras"
(equivalente ao lucro líquido) entre os sócios.
Outros indicadores são o grau de participação
em assembléias e os investimentos em educação
e outras ações sociais na comunidade.
"Não se trata de um selo para regular
ou fiscalizar as cooperativas e, sim, indicadores
para avaliar o grau de atendimento aos princípios
cooperativistas", explica Lopes.
Hoje as cooperativas são uma alternativa viável
ao desemprego. De acordo com a OCB, o número
de cooperativas no País já chega a 7.500,
sendo 5,7 milhões de trabalhadores cooperativados,
além de 180 mil contratados. Têm crescido
também as cooperativas de empresas auto-geridas,
que sofreram processos de falência e foram assumidas
pelos trabalhadores, que já chegam a 300; há
cerca de 160 cooperativas incubadas por universidades
e 50 cooperativas em assentamentos rurais.
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